A Jangada – Perigo no Mar

Quase morri nesse dia…

Deixo aqui o meu alerta: tomem muito cuidado ao navegar de jangada!!!

O dia tinha amanhecido iluminado no Recife, com um sol brilhante e o céu com poucas e esparsas nuvens brancas.

Era meu hábito nas longas turnês que eu fazia com o Belchior pelo Nordeste, acordar muito cedo e ir caminhar nas praias.

Já estávamos no Recife havia quatro dias, para shows no lindo Teatro do Parque e no portentoso Teatro Guararapes.
Mas naquele dia eu tinha resolvido fazer um programa diferente, acordei cedo na mesma, mas em vez de ir para a praia de Boa Viagem, na frente do hotel, fui pra Porto de Galinhas, distante uns sessenta quilómetros de Recife.
Ao chegar na praia constatei que a fama da beleza do lugar não era exagerada, era simplesmente linda, com sua areia branca, coqueiros, piscinas naturais e água supercristalina.

Depois de dar uma volta de reconhecimento e uns mergulhos fui observar as jangadas na areia. O pessoal local alugava aquelas jangadas para passeios com turistas. Uma delas estava pra sair e ainda tinha uma vaga, eu me candidatei imediatamente.

Rolando a jangada por cima de troncos, lançaram-na na água, os turistas subiram e os auxiliares empurraram a embarcação mar adentro. Imediatamente, ao receber o primeiro golpe de vento na vela, ela começou a ganhar velocidade, singrando o mar com uma rapidez que eu não imaginava. Com um pau comprido com uma latinha fixada na ponta, o condutor pegava água do mar e jogava na vela para molhar o tecido, deixando-o menos poroso e assim potencializar a ação do vento.

Fomos nos distanciando da costa e quando estávamos a uns duzentos metros da praia o condutor da jangada jogou no mar um corda comprida, que era amarrada firmemente numa peça da popa.
Estávamos na jangada eu, um casal na casa dos sessenta com sua filha e a netinha, um rapaz e a namorada, ambos com vinte e poucos anos.
O piloto da jangada perguntou quem gostaria de ser rebocado dentro da água segurando a corda. Como ninguém se manifestou prontamente, eu me candidatei.

Fui descendo para a água pela popa, com cuidado, pois a jangada continuava em movimento. Já totalmente dentro do mar fui me deixando deslizar para a extremidade da corda, que devia ter, mais ou menos, uns sete metros. Eu tinha que segurar com muita firmeza e força, pois a resistência da água no corpo era imensa, impressionante.

Foi aí que aconteceu! Ao chegar na ponta da corda senti algo deslizando na minha perna…era meu calção que descia pelas pernas. Soltei uma mão para alcançá-lo, mas não fui rápido o suficiente, ele já tinha passado para baixo dos joelhos, e agora eu o segurava com os pés abertos, especados pra fora, de um jeito que o calção não conseguisse passar por eles e se perdesse irremediavelmente no mar.
Meus amigos…que situação tensa!!!

A força da água era tão grande que eu não conseguia nem encolher as pernas suficientemente para o calção ficar ao alcance da mão, isso, sem contar que, com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, era quase impossível me segurar só com uma mão na corda. Eu não estava mais aguentando, entrei em pânico, pois já me via subindo de volta na jangada sem o calção. E nem uma toalha eu tinha.

Fiquei tão apavorado que virei um gato… virei dali, virei daqui, torci pra lá, torci pra cá, e, finalmente, nem sei como, pra meu imenso alívio consegui puxar o calção pra cima. Mas ainda havia um desafio, percorrer a corda de volta até a jangada sem deixar escorregar o calção de novo. Apertei as pernas o mais que pude e fui devagarinho, metro a metro, puxando o calção sempre que descia um pouco. Quando eu não aguentava mais de dor nos braços e nas pernas, finalmente alcancei a jangada e subi.
A ação tinha sido tão intensa e extenuante pra mim, que nem notei se o pessoal em cima da jangada olhava pra mim ou não enquanto eu estava dentro da água protagonizando aquela tragicômica e bizarra performance coreográfica.

Sentei na jangada desenxabido e com a maior cara de bunda, exausto, e fiquei ali tentando acreditar que ninguém tinha percebido nada. Não sei se notaram, mas o fato é que ninguém mais se aventurou a ser rebocado pela corda.

Quase morri nesse dia…de vergonha!

Nos dias seguintes eu estava com o corpo tão dolorido por casa do esforço e das contorções acrobáticas que tinha sido forçado a realizar dentro d’água, que nem minhas infalíveis caminhadas diárias na praia eu dei.

Moral da história:
“Se pretender seguir a reboque numa jangada, certifique-se de que sua roupa de banho esteja bem fixa, caso contrário correrá sério risco de chegar à praia como chegou ao mundo”

Nota: Você já passou por um aperto desse tipo? Fique à vontade pra comentar e rir…apesar do apuro que foi, até mesmo eu dou risada quando me lembro desse dia.

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